UM POUCO SOBRE... BELDROEGAS

UM POUCO SOBRE... BELDROEGAS

SUPER VERSÁTEIS E DE FÁCIL INTRODUÇÃO NA ALIMENTAÇÃO DO DIA-A-DIA

 

 

Comecei a reparar nesta ervinha e a dar-lhe particular atenção há relativamente pouco tempo. Até então não me dizia nada e olhava para ela da mesma forma que grande parte de vocês ainda olha, como uma simples erva-daninha sem qualquer utilidade, mais uma praga das hortas e jardins. Acontece que me fui cruzando com artigos e receitas que falavam da beldroega como sendo um alimento riquíssimo nutricionalmente.Isso mesmo, UM ALIMENTO! Vai daí, o meu interesse por esta pequena “praga” só cresceu, e hoje é uma das plantas que mais adoro consumir!

 

A Beldroega , ou Portulaca Oleracea , é uma planta que faz parte do clube das PANC´s, Plantas Alimentícias Não Convencionais. As PANC´s são plantas silvestres que brotam de forma espontânea em plantações, jardins, florestas, e até mesmo em lugares mais inusitados como nas bermas das estradas, por exemplo. São conhecidas por serem plantas de fácil crescimento, que não necessitam de cuidados especiais e na sua generalidade são marginalizadas e vistas como plantas evasivas, non gratas, “ervas daninha”.

 

A verdade é que as PANC são todas as plantas que poderíamos consumir, mas não consumimos. Plantinhas subvalorizadas, pois por trás da sua aparência humilde, elas escondem uma riqueza nutricional de valor inestimável,e em muitos casos possuem vitaminas, antioxidantes, e sais minerais difíceis de encontrar noutros alimentos. As Beldroegas são um exemplo brutal disso mesmo!

Conhecidas por serem uma das maiores fontes vegetais de ácidos gordos ómega-3,as beldroegas são mais uma prova de que ninguém precisa de comer peixe para obter este nutriente! Por serem tão ricas em ómega-3 elas ajudam o prevenir o aparecimento de doenças cardiovasculares assim como desempenham um papel importante na manutenção do equilíbrio do colesterol total, já para não falar da sua extrema importância para o bom funcionamento cerebral.

 

Segundo a DGS, as beldroegas “Em cru são fonte de vitamina C (21,0mg/100g), potássio (494mg/100g) e magnésio (68,0mg/100g), apresentando, também, valores interessantes de ferro (2,0mg/100g). Caso sejam consumidas cozidas, constituem uma fonte de potássio (488mg/100g) e magnésio (67,0mg/100g), fornecendo, ainda, vitaminas A (93µg/100g) e C (10,5mg/100g).”

 

As vitaminas e minerais que esta plantinha nos dá são tantos e em tão generosas quantidades que não dá mesmo para lhe ficar indiferente depois que as conhecemos. Passamos a olhar pra esta erva rasteira com outros olhos e a reconhecer-lhe todo o seu valor, todas as suas características nutracêuticas que fazem dela tão especial.

 

Para além de tudo isto, as Beldroegas são ainda super versáteis e de fácil introdução na alimentação do dia-a-dia. Na região do Alentejo são amplamente conhecidas e consumidas, na famosa Sopa de Beldroegaspor exemplo, muito devido ao facto de crescerem de forma abundante naquela região e de nunca se ter perdido o contacto com este conhecimento ancestral.

 

E para vocês que pensam que as Beldroegas têm um sabor amargo ou extremante ácido, desenganem-se. As Beldroegas têm um sabor super suave o que torna tudo ainda mais fácil no momento em que decidimos prová-las pois não há espaço para caras feias! Miúdos, graúdos, toda a gente se rende facilmente ao charme e delicadeza desta planta. Podem ser consumidas cruas em saladas, sandes ou batidos, ou podem ser cozinhadas das mais variadas formas. É caso para dizer que o céu é o limite e que ainda há um enorme potencial culinário para explorar com esta ervinha.

Para além da sua enorme capacidade de nos nutrir por dentro, também lhe são reconhecidas propriedades no tratamento tópico de picadas de insectos por exemplo, assim como no tratamento de problemas como a acne, uma vez que esta ervinha possui uma excelente acção anti-inflamatória e purificante da pele.

 

De caules carnudos e avermelhados, folhas pequenas e suculentas esta plantinha desenvolve-se frequentemente em terrenos de solos argilosos, e é possível encontrá-la um pouco por todo o planeta. A região de origem ainda é incerta, mas crê-se que possivelmente terá sido num clima árido como o Norte da África. Em Portugal é durante o período de Abril a Dezembro que a podemos ver brotar, e com maior abundância nos meses mais quentes.

 

Agora que já ficaram a conhecer um pouco melhor as Beldroegas, quando as virem espreitar nos vossos jardins ou hortas já sabem o que fazer, cozinha com elas! Eu gosto de as deixar desenvolver bem as folhinhas, de as consumir quando já estão maiores, mas vocês podem consumir quando preferirem. As que virem na rua junto aos passeios e muros, deixem-nas lá estar, não sabemos que tipo de substâncias menos positivas elas carregam, a poluição nesses locais é enorme e as plantinhas absorvem tudo, como todos sabem.

 

Aproveitem o que a Natureza tem de melhor, o que a Natureza literalmente nos dá para nutrir e cuidar do nosso corpo. Não precisamos de ir buscar alimentos exóticos do outro lado do mundo, ao nosso lado temos certamente o que necessitamos. Os nossos antepassados sabiam fazê-lo muito bem, nós só temos de recuperar esse conhecimento, trazê-lo para o nosso dia-a-dia e aplicá-lo!

 

 

 

 

REFERÊNCIAS:

A CIENTISTA AGRÍCOLA, BELDROEGAS: AS INFESTANTES QUE TÊM MAIS VALOR DO QUE IMAGINA! 

CABI, INVASIVES SPECIES COMPENIUM, PORTUCALEA ORELACEA 

DGS, PROGRAMA NACIONAL PARA A PROMOÇÃO DA ALIMENTAÇÃO, BELDROEGAS

DUARTE, GISELE. (2017) TESE DE MESTRADO EM ECOLOGIA HUMANA E PROBLEMAS SOCIAIS CONTEMPORÂNEOS, LEVANTAMENTO E CARACTERIZAÇÃO DAS PLANTAS ALIMENTÍCIAS NÃO CONVENCIONAIS DO PARQUE FLORESTAL DE MONSANTO –LISBOA, CAPÍTULO 1

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